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O que é o RPE e como calcular a carga de treino

· Training Feel

O RPE é a forma mais barata de medir o quanto um treino custou a um atleta: você pergunta. O interessante é o que dá para fazer com esse número quando ele é registrado todos os dias.

O que mede o esforço percebido

RPE vem de rating of perceived exertion: a pontuação que o atleta dá ao que acabou de fazer. Não mede o que aconteceu fora — os quilômetros, os quilos, os minutos — e sim o quanto custou por dentro.

Essa distinção é o que o torna útil. Dois jogadores podem percorrer a mesma distância no mesmo jogo e terminar em estados completamente diferentes, conforme como dormiram, o que vinham acumulando e em que momento da temporada estão. O GPS registra o primeiro; o RPE, o segundo.

A escala de Borg CR-10

A escala mais usada é a CR-10 de Gunnar Borg, de 0 a 10: 0 é repouso absoluto e 10 o maior esforço que aquele atleta consegue sustentar. Os valores intermediários têm âncoras verbais — leve, difícil, muito difícil — que ajudam a manter a pontuação estável ao longo do tempo.

Vale explicá-la bem uma vez, no início da temporada, e depois não mexer mais. Um elenco que entende a escala dá números comparáveis; um que a vê mudar no meio do ano, não.

Da pontuação à carga

O salto está em multiplicar o RPE pela duração da sessão. Esse produto, conhecido como carga da sessão ou session-RPE e associado ao trabalho de Carl Foster, transforma uma percepção num número que pode ser somado.

Noventa minutos com RPE 8 são 720 unidades arbitrárias. Sessenta minutos com RPE 5 são 300. A escala não tem unidade física: 720 não são 720 de nada em particular. Seu valor é relativo, e isso basta para comparar sessões, somá-las por semana e acompanhar um mesmo atleta ao longo dos meses.

O detalhe mais ignorado são os minutos individuais. Num jogo de futebol, onze jogam noventa minutos e o resto entra aos vinte ou não entra. Usar a duração da partida para todos distribui uma carga que não aconteceu.

Quando perguntar

Cerca de trinta minutos após o término. Perguntado na hora, no vestiário e ainda ofegante, o fim da sessão domina a resposta: uma série exigente no fechamento inclina o número mesmo que o resto tenha sido leve.

O outro erro comum é o treinador preencher o RPE. Se quem planejou coloca o número, ele deixa de ser uma medida e vira uma expectativa — e justamente a informação que queríamos, a diferença entre o planejado e o vivido, desaparece.

O que vem depois

Com várias semanas registradas aparecem coisas que uma sessão isolada não mostra: quanta carga cada atleta acumula, quão parecidos são os dias entre si, e como a semana atual se compara com a média recente.

Nada disso exige equipamento. Exige constância, que na prática é o problema difícil: vinte atletas respondendo todos os dias, sem que ninguém esqueça.

Você pode fazer a conta de uma sessão aqui mesmo, sem se cadastrar, e ver como a carga muda conforme a duração e a pontuação.

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